terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Joe, O Feio


Joe, O Feio era um jovem solitário, não era feio. 
Era apenas um garoto que crescera sozinho.                                         
Frequentava o cemitério, especialmente o túmulo de sua mãe.
Sua maquiagem e roupas escuras, batom vermelho, cabelos desgrenhados assustavam as pessoas. Todos tinham receio dele, mas ninguém ousava se aproximar. 
Nem imaginavam que naquele peito pulsava um coração bondoso e puro, um coração belo.
Em um fatídico dia, um tiroteio aconteceu. Joe, O Feio que era belo, acabou sendo morto.                      
Não usava armas, apenas declamava poesias e expressava sua mórbida arte. Entre balas fora atingido. Isso acontecera, enquanto ele falava de seus nostálgicos e imaginários romances, falava de amor.
Não se sabe se fora da polícia ou do ladrão. Uma bala em cheio acertou seu coração. Joe, O Feio que era belo, sem nenhuma cerimônia, fora enterrado. Agora abraçava os restos do corpo de sua mãe. 
Não fora ninguém o visitar, ficara apenas como companhia, o velho coveiro que  em seguida deixaria o cemitério com sua pá, chovia intensamente. Pareciam as lágrimas de Joe,  O Feio. 
Escuras  e belas,  mesmo o tendo visto de longe, imagino que se ele pudesse pedir, ele pediria uma triste música ao piano e violino, com uma voz serena como trilha de sua morte.
Agora descanse em paz, Joe... 

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